DUAS MANTAS E A JANELA DA D. IRENE

13.10.17
Foi no estendal da D. Irene que eu pedi para pendurar as minhas mantas. A janela da cozinha da D. Irene dá para um pátio que pertence à oficina que eu frequento 1 vez por semana. É para essa oficina que levo as minhas peças velhas e é lá que tenho toda a liberdade para restaurá-las ou repaginá-las, já que em casa essas tarefas tornam-se muitas vezes impossíveis. E a cada 7 dias empoleiro-me na janela da D. Irene para dois dedos de conversa. O prédio é velho e a madeira da janela mal se aguenta. Do meu posto vislumbro parte da cozinha, também ela cheia de rachas, mas com uma chaminé em pedra, linda, e um suporte na parede que exibe tachos e panelas. Eu tenho esse fascínio pela ação do tempo sobre os objetos, e aonde a D. Irene enxerga anos e anos de uma vida de sacrifícios e solidão, eu, apenas vejo beleza. Quanto às mantas foram feitas do meu jeito, com muito carinho, para duas crianças que acabam de chegar ao mundo. Um menino e uma menina e acho que não vale a pena dizer qual manta é para quem, porque isso ficou muito óbvio. Quando digo que fi-las do meu jeito, quero explicar que exagerei na mistura de padrões, porque é esse o meu gosto, e não usei tecidos e cores para crianças, porque nunca fui de tradições!

CASAS DE BANHO E COZINHAS DO SÉCULO PASSADO

2.10.17
Quem me conhece sabe que eu adoro ver as casas dos outros, não por bisbilhotice mas sim por um genuíno prazer de descobrir como as pessoas ocupam e vivem os espaços. E se as casas dos outros são, ou foram, mansões e cottages do séc 20, essa minha indiscrição natural ainda se agudiza mais. Mas não se alastra a todo e qualquer ambiente. O que gosto mesmo de apreciar, são as casas de banho e as cozinhas de antigamente. Do tempo em que, quem tinha desafogo financeiro, não se confinava em espaços pequenos, o banhar-se e vestir-se era todo um ritual, e as refeições exigiam protocolo e etiqueta. As imagens a seguir foram tiradas nas famosas mansões de Newport. Newport fica no estado de Rhode Island, nos EUA, e era, nos finais do séc. 18, inícios de 19, uma cidade da elite, onde famílias influentes de Nova Iorque construíam suas casas de veraneio. Quando veio a grande depressão dos anos 20, e à medida que as famílias foram desmoronando, para evitar que as casas fossem vendidas pelos descendentes, demolidas ou transformadas em modernos condomínios, surgiu uma entidade, a The preservation Society of Newport County, que as adquiriu e mantém-nas abertas ao público. Sorte a nossa, que hoje em dia podemos comprar um passe que dá acesso a todas as casas, e com a ajuda de um guia áudio, passearmo-nos pelas histórias de vida dos Vanderbilt ou dos Astor. Banheiros e cozinhas antigas, são a minha perdição. Os primeiros porque encontramos neles peças que chamo de "intrusos" e as segundas, porque me fascinam aquelas mesas enormes centrais. Intrusos, para mim, são tapetes, cortinados, sofás, cadeiras, cómodas, quadros e todos aqueles elementos que deveriam esta na sala ou no quarto, mas estão nas casas de banho. Objetos que parecem estar fora do seu habitat natural, mas a meu ver, dão um charme imenso a um ambiente tão prático e ascético como uma casa de banho. Quanto às cozinhas, sou perdidamente apaixonada pelas mesas gigantes, de tampo de madeira ou pedra, pela proliferação de utensílios antigos e pelos armários louceiros que espalham-se pelas paredes e deixam o enxoval da casa todo à vista. E quando deambulo por estes espaços, divago e deixo a imaginação fluir. Tento conjecturar sobre as dezenas de empregados que eram precisos para manter estas casas e servir os patrões. E esforço-me também por imaginar os aristocratas, de férias, mas num ritmo frenético de formalidades e cerimoniais, quando um dia era planeado ao pormenor e havia horários rígidos para toda e qualquer atividade!

CARTÕES FEITOS COM RETALHOS

21.9.17
Sempre gostei de enviar e receber cartas. Quando isso deixou de existir, cingi-me à correspondência de Natal: remetia a uma longa lista de amigos, que sempre retribuía. Acabou também, substituída por um ou outro gift animado, que nos chega por whatsapp quando a quadra se inicia. Restam os cartões, dos quais não abdico, que acompanham presentes de aniversário, casamento, nascimento e outras comemorações. Quando os vejo bonitos, por aí, compro-os, mas na minha ânsia de dar uma razia nos retalhos que tenho, lembrei-me de fazer alguns com um cunho mais pessoal. Para isso, baseei-me em envelopes de medidas padronizadas (pequenos de 7,5cm X 11cm e um pouco maiores de 11,5cm X 16cm) para decidir as dimensões dos cartões, que cortei em cartolina craft de 280g. E pronto, a partir daí foi deixar a imaginação fluir! Notem que eles são desperdício zero pois podem ser reutilizados por quem os receber, basta substituir a folha branca que se encontra no interior.

TAGS

12.9.17
Não sei se também vos acontece, mas sempre que estou a fazer alguma prenda para oferecer, tenho um prazo ou data para entregar, e eu que gosto tanto de personalizar o embrulho (afinal, o cuidado começa na embalagem) acabo sem tempo para idealizar e confecionar uma tag. Nessas horas prometo a mim própria tirar uns dias apenas para fazer etiquetas, agarrar nos retalhos que se multiplicam rapidamente e em abundância, colocar a imaginação para funcionar e costurar uma série delas para ficarem de reserva. De forma a que quando for necessário, baste lançar mão do estoque. A ideia não era fazer nada super elaborado, pelo contrário, queria usar o material que entulha as gavetas de casa, entre fitas com dizeres e em branco, botões, carimbos, colocador de ilhoses, fitas coloridas, corda, missangas, mini alfinetes de dama, e não ter trabalho com medidas e arremates. Quase um improviso. Se soubesse bordar ou crochetar, com certeza a produção ainda teria sido mais simpática!
Achei uma terapia divertida e agora quero evoluir para uns greeting cards, daqueles que comportam um texto maior (e não só o nome da pessoa) e acompanham um presente de aniversário, casamento, ou são enviados com votos de Natal. Aguardem.

OCAPOP: COR E CRIATIVIDADE

7.9.17
Tenho absoluta certeza que a maior parte das pessoas que passa por aqui já conhece a revista digital Ocapop. Mas se nunca ouviu falar, vale a pena espreitar a 8ª edição, que acaba de sair. Cheia de matérias inspiradoras escritas por colaboradores dotados e talentosos, a revista fala de decoração, DIY, nutrição, entre outros temas, mas o foco desta edição é as casas e suas diversas facetas: como podem ser alegres e acolhedoras, nosso porto de abrigo ou também espaço de trabalho. As casas podem ser (e são) muitas coisas, tal como os donos delas. Aqui eu conto como a minha casa é apenas um lugar onde a monotonia não é convidada a entrar. Mas não pare por aí, continue a ler, porque as restantes páginas são pura energia e overdose de criatividade!

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